PREÂMBULO DE CRIAÇÃO

 Por Alberto Santos, Diretor Executivo PROEGA

A representatividade do agronegócio para a economia brasileira faz com que o país busque mecanismos para se tornar mais eficiente e competitivo frente às oportunidades e ameaças que surgem no setor. Dentre as iniciativas mais importantes, destacam-se, nos últimos anos, a identificação de ações diante dos inúmeros gargalos e necessidades de desenvolvimento e profissionalização do setor, seja por instituições governamentais, empresas e entidades privadas ou instituições de ensino.

Segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) até 2020, a oferta mundial de alimentos tem que crescer 20% para atender à demanda dos países emergentes; o Brasil deverá ser responsável por ofertar algo em torno de 40% desta produção.

Dados oficiais do IBGE mostram que o agronegócio é o setor que mais emprega no país: 37% dos empregos diretos e indiretos vêm do agronegócio; portanto, mais de 1/3. Com isso, o setor tem peso social no nível de emprego e no nível econômico bastante significativo.

Neste sentido, é razoável considerarmos que a profissionalização do setor é de extrema importância. Formar recursos humanos com competências articuladas e integradas as necessidade de coordenação e integração das cadeias produtivas mostra-se como um desafio para o pleno e completo desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

A valorização da formação estratégica para o setor determina, sobretudo, a preocupação e empenho que o país demonstra com vistas ao desenvolvimento e constante acompanhamento das variáveis que afetam a funcionalidade e competitividade das cadeias agroindustriais. Tornar o ambiente propício ao atendimento da demanda mundial por alimentos e consequente emprego e renda internamente, é o primeiro passo para possibilitar que o setor tenha contínua capacidade de crescimento de forma consistente e articulada entre os diversos setores da economia.

Demandar uma entidade que abrigue, neste momento, os profissionais de Gestão do Agronegócio é, portanto, o sinal de que existe a necessidade de integração de esforços em prol de um objetivo maior, a interprofissionalização do agronegócio brasileiro, ou seja, agrupar estruturas associativas e organizações de profissionais, produtores, indústria e comércio ligados a cada cadeia produtiva, criando um canal de comunicação com a troca de informações necessárias para que nos aproximemos cada vez mais de um modelo equitativo entre os atores e segmentos.

É nesta perspectiva que os Gestores do Agronegócio estão sendo formados. As intenções são as melhores, porém como em qualquer outro processo de construção de uma profissão, as dificuldades e entraves são também aspectos motivadores para a criação de uma entidade representativa. Os problemas giram em torno, principalmente, do reconhecimento e definição precisa das competências e possibilidades de atuação do profissional. O processo de consolidação passa por dificuldades, que vão desde a disponibilidade e dedicação de instituições de ensino e até mesmo pela falta de motivação dos profissionais que se deparam com este ambiente onde as dúvidas e incertezas são constantes, quanto a sua inserção no mercado de trabalho.

No contexto das três últimas décadas, a capacitação dos profissionais que atuam em Agronegócios tem frequentado mais assiduamente a agenda de educadores, empresários e políticos de diversos países. Além do nosso país a Austrália, Nova Zelândia, Europa e Estados Unidos estão se dedicando à profissionalização do agronegócio. Nos EUA, o impulso inicial veio da Associação Americana de Economia Agrícola, que tem encorajado a melhoria da educação na área de Agronegócios.

Pesquisando rapidamente sobre o tema de profissionais do agronegócio na internet podemos constatar que em países como: Índia, Nova Zelândia, Austrália, Ucrânia, Rússia, China e Canadá existem entidades e instituições nacionais que estão defendendo os interesses destes profissionais e ao mesmo tempo acompanhando e propondo ferramentas de gestão ao setor.

Com destaque para o Instituto de Gestão da indústria primária da Nova Zelândia, que tem como missão, promover a excelência em profissionais da agroindústria neozelandesa. E a Associação do Agronegócio da Austrália que tem como objetivo principal o desenvolvimento e promoção do vínculo dos profissionais com e entre os diferentes setores do Agronegócio. No caso da China destaca-se o investimento em alianças estratégicas com outros países, o maior mercado consumidor do mundo está preocupado com sua segurança alimentar. A China tem um acordo com o governo do Canadá, a mais de 26 anos, que promove o intercambio de estudantes, profissionais e pesquisadores, para que o Canadá desenvolva bases gerenciais dos setores agrícola e industrial de acordo com as especificidades e necessidades dos consumidores chineses, denominada de Aliança de desenvolvimento da agricultura e alimentação chinesa-canadense (CCAgr).

Este recorte é importante para entendermos que no cenário internacional os profissionais de gestão do agronegócio estão sendo desenvolvidos e assistidos de acordo com a demanda dos setores produtivos, industriais e de distribuição e varejo.

Segmentos estes, que na União Europeia, por exemplo, com maior frequência na França e Portugal, estão sendo congregados em entidades interprofissionais, para que possam discutir estratégias frente aos gargalos que estão presentes nas cadeias agroindustriais. Destaca-se aqui o trabalho da Viniportugal – Associação Interprofissional para a promoção dos vinhos portugueses e a Associação Interprofissional dos produtores franceses de ovinos.

Percebe-se, nessas proposições, a ênfase nas pessoas como recurso determinante para o sucesso e desenvolvimento do setor, uma vez que a busca pela competitividade impõe aos países a necessidade de contar com profissionais capacitados, aptos a fazerem frente às ameaças e oportunidades do mercado. As pessoas com capacidade de aprendizado e que conseguem transferi-lo a outras pessoas são cada vez mais valorizadas como profissionais.

Portanto, chegou a hora e a vez do Brasil acompanhar uma tendência internacional de interprofissionalização do agronegócio e isto deve ser uma responsabilidade dos Gestores do Agronegócio, que têm um formação multidisciplinar e integrada às necessidades de coordenação do sistema agroindustrial.

Gestores do Agronegócio, juntos chegaremos lá! Logo, não pegue carona nessa ideia e se faça presente, suas demandas devem estar alinhadas ao nosso discurso.